Em menos de um século, assistimos a uma transformação profunda: de fichas de papel e chapas metálicas até carteiras digitais no celular. Essa jornada não foi apenas técnica, mas também social, moldando a forma como compramos, viajamos e interagimos com o mundo.
Entender esse percurso ajuda a apreciar as inovações atuais e a preparar-se para as próximas revoluções.
Bem antes do plástico, no século XIX e início do XX, lojas criavam sistemas proprietários válidos apenas naquela loja, oferecendo crédito mensal em fichas de papel ou cartões de cartolina. O cliente comprava e acertava no fim do mês, sem receber alertas em tempo real.
Na década de 1930 surgiu a Charga-Plate, uma placa metálica com nome e endereço em relevo. Para cada compra, o comerciante usava uma impressora mecânica para copiar esses dados em um recibo. Foi um marco que associou identidade e crédito em um só artigo, abrindo caminho para o cartão moderno.
Nos anos 50, o plástico entrou em cena. American Express lançou seu primeiro cartão plástico em 1959, seguido por grandes bancos. Esses cartões traziam nome, número e validade em relevo, lidos em máquinas conhecidas como “chapa de ferro”.
O processo exigia que o cliente assinasse um recibo, enviado ao banco para processamento manual. Isso gerava:
Mesmo com limitações, esse método dominou o comércio em várias décadas, inclusive em Portugal nos anos 70.
Em 1969–70, o engenheiro da IBM Forrest Parry revolucionou o mercado ao fixar uma fita magnética sobre o plástico. Essa tarja podia armazenar dados de autorização e validade do cartão, além do nome e código do cliente.
Com terminais eletrónicos de leitura, as transações se tornaram transações muito mais rápidas e menos sujeitas a erro. A partir de 1970, a combinação de cartão e terminal iniciou a expansão global dos pagamentos eletrónicos.
Nos anos 70, Roland Moreno patenteou o cartão com chip, seguido por engenheiros alemães que desenvolveram o smart card. Na década de 80, a França começou a exigir chip e PIN. Em 1994, Europay, Mastercard e Visa criaram o padrão EMV, unificando a tecnologia globalmente.
Nos anos 2000, o contato sem fio (NFC) integrou-se aos cartões, permitindo pagamentos por aproximação. Hoje, basta aproximar o cartão ou o celular para concluir uma compra.
Não só o cartão evoluiu: as máquinas de pagamento também deram saltos incríveis. Dos primeiros TPAs eletrónicos da IBM nos anos 70 aos terminais sem fios na Noruega em 1977, chegamos aos equipamentos com Wi-Fi, GPRS e até impressão de recibos digitais.
Em Portugal, a rede Multibanco, lançada nos anos 80, integrou bancos e pontos de venda, consolidando o uso de um único cartão para saque e pagamento.
No último decênio, smartphones e wearables deram origem às carteiras digitais. Aplicativos como Apple Pay e Google Pay utilizam tokenização para máxima segurança, substituindo o número real do cartão por tokens temporários.
Hoje já é possível criar cartões virtuais para compras online, setar limites de gasto e bloquear ou deletar o instrumento instantaneamente. Isso reduz o risco de fraude e dá controle total ao usuário.
Para aproveitar todas as inovações sem riscos, considere estas práticas:
À medida que avançamos, veremos biometria e invisibilização do cartão físico se tornarem rotina, tornando o pagamento ainda mais ágil e seguro.
Essa evolução mostra que o cartão não é apenas um pedaço de plástico ou um aplicativo: é um símbolo da nossa confiança na tecnologia e na inovação contínua.
Prepare-se para abraçar as próximas gerações de meios de pagamento, pois o futuro reserva ainda mais conveniência e segurança para todos.
Referências