O universo financeiro está passando por uma revolução silenciosa impulsionada pela tecnologia blockchain, que vai muito além do mobilizado mercado de criptomoedas.
Blockchain é uma estrutura que funciona como um mecanismo avançado de banco de dados, permitindo o registro seguro e rastreável de transações em uma rede distribuída. Cada grupo de operações forma um bloco, conectado criptograficamente ao bloco anterior, criando um registro contínuo e à prova de violações.
Entre as características mais valorizadas no setor financeiro estão a immutabilidade das transações registradas, a transparência e auditabilidade inigualável de transações e a segurança criptográfica avançada proporcionada por hashes e assinaturas digitais.
Embora o Bitcoin tenha sido a primeira aplicação de blockchain, hoje a tecnologia sustenta diversas soluções em finanças, trazendo desintermediação, eficiência, inclusão financeira total e segurança em múltiplas frentes.
No modelo tradicional, transferências transfronteiriças envolvem múltiplos intermediários e podem levar dias para serem liquidadas. Com blockchain, muitas instituições bancárias já realizam liquidação quase em tempo real e custos significativamente menores.
Um exemplo é a Singapore Exchange, que utiliza uma solução baseada em blockchain para processar pagamentos entre bancos de forma automatizada, reduzindo fraudes, reconcilições manuais e prazos de até D+2 para leitura instantânea dos saldos.
DeFi representa o conjunto de serviços financeiros construídos sobre blockchains públicas, operando através de contratos inteligentes autônomos que eliminam intermediários tradicionais. Acesso global, sem necessidade de aprovação bancária, é um dos principais atrativos.
Entre os benefícios, destaca-se a democratização do acesso ao capital e a transparência e auditabilidade inigualável de transações. No entanto, desafios como vulnerabilidades em contratos, falta de regulação clara e volatilidade exigem atenção rigorosa.
A tokenização converte direitos sobre ativos tokenizados em unidades negociáveis em blockchain, criando mercados secundários mais acessíveis e líquidos.
Essa abordagem aumenta a liquidez de ativos tradicionalmente ilíquidos, reduz barreiras de entrada e oferece transparência e rastreabilidade da titularidade, ampliando oportunidades para investidores de todos os portes.
Governos e órgãos regulatórios em todo o mundo avançam na criação de normas para garantir a segurança dos investidores sem sufocar a inovação. As CBDCs, como o e-CNY na China e projetos-piloto na União Europeia, sinalizam uma adoção crescente de moedas digitais emitidas por bancos centrais.
O mercado global de blockchain, avaliado em cerca de US$ 7 bilhões em 2020 e projetado para alcançar mais de US$ 160 bilhões até 2029, reflete o potencial transformador da tecnologia. Instituições financeiras tradicionais, fintechs e startups colaboram em consórcios para explorar soluções conjuntas, fomentando um ecossistema robusto e em rápida evolução.
Blockchain já não é apenas o alicerce das criptomoedas: tornou-se uma infraestrutura financeira global descentralizada, capaz de revolucionar pagamentos, compliance, mercados de capitais e muito mais. Ao entender seus fundamentos, benefícios e riscos, profissionais e investidores podem aproveitar esse novo paradigma para impulsionar inclusão, eficiência e inovação em larga escala.
Referências