Viajar é uma experiência transformadora, mas, nos últimos anos, os criminosos têm explorado cada oportunidade para aplicar golpes financeiros em turistas e viajantes de negócios. No Brasil, a crescente digitalização das compras e reservas eleva o risco de fraudes e torna essencial o conhecimento de medidas preventivas. Ao compreender como funcionam essas armadilhas, o viajante ganha poder para agir com segurança e tranquilidade.
O cenário nacional revela uma alarmante expansão das fraudes: segundo dados de 2024, 50,7% dos brasileiros foram vítimas de algum tipo de fraude e mais de 54% perderam dinheiro. Com o avanço dos meios digitais, as transações eletrônicas cresceram e as vítimas se multiplicaram. Estima-se que as perdas por fraude custem entre 0,35% e 0,4% do PIB, ultrapassando R$ 10 bilhões em 2024.
Entre os principais golpes estão o uso indevido do cartão de crédito (47,9%), phishing (21,6%) e fraudes por engenharia social. A cada real perdido, os bancos gastam R$ 4,49 em resposta e atendimento às vítimas. Ainda mais preocupante é a ascensão dos deepfakes e clonagem de voz por IA, tecnologia que induz o usuário a fornecer dados ou autorizar transações.
Reservar voos, hotéis e passeios exige cautela redobrada. Dados internacionais indicam que 28% das pessoas caíram em algum golpe durante a reserva em 2024, e outros 28% relataram fraudes durante a viagem.
No mercado nacional, o crescimento de golpes ao reservar viagens atingiu 22% no primeiro semestre de 2025. Promoções irresistíveis em redes sociais, perfis falsos e passagens muito abaixo do mercado são iscas comuns. Além disso, houve casos em que cartões clonados foram usados para adquirir passagens em agências legítimas, causando rombos superiores a R$ 70 mil.
Golpistas investem em domínios parecidos com oficiais, divulgam links em anúncios pagos ou perfis falsos e criam formulários que solicitam dados completos do cartão, incluindo CVV e CPF. Em redes sociais, usam links para sites não seguros ou passam a conversa para grupos de WhatsApp, pressionando o viajante a confirmar reservas rapidamente.
Por fim, as chamadas falsas se passam por funcionários de companhias aéreas ou bancos. Com técnicas de deepfakes e clonagem de voz por IA, simulam urgência para que o usuário informe códigos de autenticação ou libere transferências.
Adotar hábitos de segurança reduz drasticamente o risco de prejuízos. Siga estas ações antes, durante e após a viagem:
Caso opte por agência, confirme a existência física e documentação da empresa. Peça indicação a amigos, colegas ou profissionais de confiança. Em plataformas digitais, utilize filtros de avaliação e confirme dados de contato. Evite fechar negócio quando houver pressão para fechar rapidamente, principalmente por WhatsApp ou e-mail.
Bancos oferecem serviço de bloqueio e alertas de transações suspeitas. Informe-se sobre seguros de viagem que cubram fraudes com cartão. Em caso de atividade irregular, contate imediatamente a operadora para contestação e estorno.
Ao adotar essas práticas, o viajante se torna protagonista de sua própria segurança. A prevenção não garante isenção total de riscos, mas diminui drasticamente as chances de cair em armadilhas financeiras. Mantenha-se atento, informe-se e compartilhe conhecimento com seu círculo de amigos e familiares.
Em um mundo cada vez mais conectado, a melhor forma de proteger seu patrimônio é unir tecnologia, informação e bom senso. Planeje, pesquise e viaje com consciência: sua tranquilidade e suas economias agradecem.
Referências