Com o aumento das taxas de juros e a oferta crescente de crédito, famílias brasileiras enfrentam desafios para manter sua saúde financeira. Este guia oferece insights sobre o superendividamento, apresentando dados atualizados, bases legais e práticas para prevenir dívidas insustentáveis.
Em um cenário de instabilidade econômica e alta inflação, a linha entre crédito saudável e comprometimento excessivo torna-se tênue. Conhecer seus direitos e agir com responsabilidade pode fazer toda a diferença.
O superendividamento ocorre quando o consumidor, de boa-fé, não consegue pagar todas as dívidas sem comprometer seu sustento básico. Diferentemente da inadimplência pontual, trata-se de uma situação estrutural que atinge a dignidade do indivíduo ao comprometer o mínimo para sobreviver.
O Código de Defesa do Consumidor, reforçado pela Lei nº 14.181/2021, estabelece que é direito do consumidor manter recursos para as necessidades essenciais, garantindo a proteção do mínimo existencial mesmo em renegociações.
Especialistas ressaltam que a rápida expansão do crédito e fragilidade educacional intensifica a chance de o consumidor se perder em um ciclo de dívidas.
O fenômeno possui múltiplos fatores que se combinam e agravam a situação financeira das famílias. Entre os principais estão:
A soma desses fatores resulta em dívidas crescentes, dificulta a quitação e compromete o orçamento familiar.
Dados de julho de 2025 apontam que 78,5% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, e 12,7% delas afirmam não ter condições de pagar seus compromissos. A inadimplência alcançou 30,2%, o maior índice desde 2023.
Entre 2021 e 2024, houve um aumento de 8.530% nos processos judiciais relacionados ao superendividamento, sinalizando uma crise de acesso ao crédito consciente. O comprometimento médio da renda familiar atingiu 30%, aproximando-se de recordes nacionais.
As consequências atingem a autoestima, o bem-estar mental e as relações familiares, gerando um ciclo de exclusão social e financeira.
A Lei nº 14.181/2021 atualiza o CDC e introduz mecanismos para prevenção e tratamento do superendividamento. Destacam-se:
Direito à renegociação global das dívidas, com plano de pagamento que preserve as necessidades básicas;
Princípio da concessão responsável de crédito, exigindo avaliação cuidadosa da capacidade de pagamento antes da liberação;
Proteção ao mínimo existencial, garantindo recursos para alimentação, moradia e saúde mesmo após acordo.
Desde a vigência da lei, instituições financeiras têm reportado maior rigor na análise de risco e aumento de procedimentos de rigor na análise de risco e compliance.
Para que o crédito seja um mecanismo de desenvolvimento e não de endividamento, fornecedores devem adotar:
O uso de tecnologia para análise de perfil de crédito, como algoritmos de scoring e inteligência artificial, pode melhorar a assertividade das concessões.
Antes de contratar um empréstimo ou usar o cartão de crédito, considere:
Educar-se financeiramente é um investimento que rende segurança e tranquilidade a longo prazo.
Consumidores superendividados têm à disposição mecanismos para renegociação:
Renegociação judicial: processo que unifica dívidas e estabelece plano de pagamento adequado;
Audências conciliatórias para revisão de cláusulas abusivas e definição de valores que preservem o mínimo existencial;
Mediações realizadas por órgãos de defesa do consumidor, oferecendo alternativas mais ágeis e menos onerosas.
Esses instrumentos reforçam a proteção legal e permitem a retomada do equilíbrio financeiro.
A promoção do empréstimo responsável é um passo essencial para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da cidadania financeira. Ao seguir práticas transparentes e avaliar criteriosamente cada decisão de crédito, fornecedores e consumidores colaboram para reduzir o superendividamento.
A construção de um relacionamento de confiança entre cliente e instituição financeira é fundamental para promover um ambiente de crédito saudável.
Transformar a forma como vemos o crédito, compreendendo-o como ferramenta de crescimento é responsabilidade de todos, é o caminho para um futuro mais estável e digno.
Referências