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Investindo em Imóveis: Guia para o Mercado Atual

Investindo em Imóveis: Guia para o Mercado Atual

17/01/2026 - 15:45
Lincoln Marques
Investindo em Imóveis: Guia para o Mercado Atual

Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro apresenta dinâmica única, combinando crescimento sólido e juros elevados. Investidores e compradores encontram, nesse cenário, oportunidades de longo prazo e segurança patrimonial. Este guia detalha dados, incentivos e estratégias práticas para quem deseja navegar com confiança no setor imobiliário atual, transformando desafios em caminhos para resultados consistentes.

Com a Selic em torno de 15%, muitos acreditam que o acesso a crédito estaria comprometido. No entanto, a demanda habitacional reprimida há anos continua a impulsionar vendas, lançamentos e a percepção do imóvel como um ativo estratégico de proteção financeira. Entender a fundo esses movimentos pode ser a base de decisões bem fundamentadas.

Cenário Macroeconômico e Desafios Atuais

O primeiro trimestre de 2025 registrou 102.485 residências vendidas, alta de 15,7% sobre o mesmo período de 2024. Já os lançamentos alcançaram 84.924 unidades, crescimento de 15,1%. A oferta final caiu 4,6%, indicando que demanda crescendo bem acima da oferta e criando ambiente de estoque enxuto. Para investidores, esse desequilíbrio sugere potencial de valorização contínua.

No acumulado do primeiro semestre, o número de imóveis lançados foi de 186.547 unidades, alta de 6,8%, enquanto as vendas somaram 206.903 unidades, avanço de 9,6%. Mesmo com recuo de 6,8% nos lançamentos do segundo trimestre, as vendas subiram 2,6%, movimentando R$ 68 bilhões. Esses indicadores apontam um mercado resiliente frente a juros altos.

No terceiro trimestre, foram lançadas 108,8 mil unidades, totalizando 307,4 mil no ano, alta de 8,4%. As vendas trimestrais de 101,3 mil unidades elevaram o acumulado anual para 312,2 mil, crescimento de 5%. O VGL trimestral chegou a R$ 68,5 bilhões e o VGV a R$ 62,3 bilhões, reforçando o volume recorde de imóveis em estoque e vendas. Investidores devem acompanhar esses índices para ajustar seu portfólio.

Programas Habitacionais e Incentivos Governamentais

Em 2025, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se mantém como principal alavanca de lançamentos e vendas. No primeiro trimestre, representou 53% dos lançamentos, totalizando 44.734 unidades. No terceiro trimestre, abrangeu 47% dos novos projetos e 44% das vendas, demonstrando importância decisiva em todo o país.

A Faixa 4 do MCMV, para famílias com renda de até R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil, expande o público atendido e contribui para a liquidez rápida do estoque. Em 1T25, a oferta final de 99.518 unidades equivaleria a apenas 6,5 meses de venda, abaixo da média do mercado.

Além do MCMV, o FGTS e subsídios estaduais e municipais garantem crédito com juros reais próximos de zero em muitos contratos, representando entre 45% e 50% das transações. Veja abaixo os principais benefícios desses programas:

  • Subsídios diretos no valor do imóvel e na prestação
  • Uso do FGTS para entrada, amortização e quitação
  • Taxas de juros reduzidas e prazos estendidos

Perfis de Compradores e Motivadores

Mesmo diante de custos financeiros elevados, a intenção de compra cresce. Pesquisa Brain/CBIC aponta 48% dos brasileiros com planos de comprar imóvel em 24 meses, contra 46% no ano anterior. A Geração Z lidera com 61% de desejo de aquisição, seguida por alta renda (58%) e baby boomers (25%).

As motivações variam entre sair do aluguel, buscar segurança patrimonial de longo prazo e aproveitar a valorização de ativos. Para investidores, conhecer essas motivações permite desenvolver produtos alinhados ao perfil do comprador, seja ele jovem que busca primeira moradia ou família planejando renovação.

Desempenho Regional e Cidades Promissoras

A região Nordeste lidera crescimento de vendas no primeiro trimestre, com alta de 27,3%. No Norte, apesar de vendas subindo 16,5%, os lançamentos caíram 34,4% no 3T25, exigindo atenção a estoques. Já o Sudeste segue como maior mercado, com 59,8 mil unidades lançadas no trimestre, e o Centro-Oeste comemora alta de 53,5% em lançamentos.

Algumas cidades despontam como destinos estratégicos. Curitiba, Goiânia e São Paulo se destacam em demanda nos segmentos econômico, médio e alto padrão, conforme estudos Qi Mercado e IDI-Brasil 2025. Outras localidades com rápido escoamento de estoque e oferta moderada só aumentam a atratividade.

  • Curitiba: forte mercado de médio padrão e infraestrutura consolidada
  • Goiânia: crescimento populacional e custo de vida competitivo
  • São Paulo: maior liquidez e diversidade de projetos
  • Cidades secundárias: oportunidades em regiões metropolitanas

Para investidores, a alocação em mercados regionais deve considerar o ritmo de lançamentos, taxa de absorção e a relação entre oferta e demanda. A diversificação geográfica e de segmentos ajuda a mitigar riscos.

Ao planejar investimentos ou aquisições, siga estas recomendações práticas:

  • Analise relatórios trimestrais e indicadores do setor
  • Aproveite incentivos do MCMV e condições do FGTS
  • Selecione cidades com crescimento de demanda comprovada
  • Considere diferentes perfis de compradores na estratégia
  • Avalie oportunidades em lançamentos e mercado secundário

O mercado imobiliário de 2025 oferece cenários promissores mesmo com a curva de juros elevada. A combinação de programas habitacionais, forte demanda reprimida e porte de novos lançamentos cria ambiente ideal para investidores que buscam rentabilidade consistente e segurança patrimonial. Explore dados, avalie riscos e use este guia para traçar um plano de ação robusto e sustentável.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

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